Saudade e muita saudade
Aqui bem dentro de mim
do terreiro de minha aldeia
do tempo do curumim
Saudade daquele cheirinho
do beiju de tapioca
que fazia minha maiê
da farinha da mandioca
Taparajó Tapera e Tapajós
que do seio da mata surgiu
saudade da minha maloca
Lá, na beira do rio
Taparajó da minha tapera
sinto saudade de ti
da esteira de palha trançada
da palha de buriti
Me acabo de tanta saudade
da linda índia cunhã
que enfeitava seu belo cocá
com flores toda manhã
Compadre sinto saudade
do paiê e minha maiê
do friozinho que a mata fazia
na fumaça do amanhecer
A zuada grande na mata
o barulho da macacada
fazendo que nem queixada
ah!Que saudade danada!
Do roncado da onça pintada
do assobio do manso tapir
Ôh! sombra do igapó
Sinto saudade de ti
Saudade da tribo grande
e irmãos que Tupã me dera
Lembrança da minha caçada
Saudade da minha tapera
Do meu Taparajó
Só a lembrança resta pra mim
do trançado de tanto cipó
do canto do jacamim
Da sombra daquele arvoredo
Do grito do mestre aracoã
do voar do soberbo mutum
da embira do meu panacum
Zuando o grande Tupã
É hora de se entocar
fazendo o mato dormir
ao som do seu tabocar
Reza no rito o pajé
invocando o mestre da era
Aos olhos do meu Tapajós
Saudade da minha tapera!
Autor: José Farias Serrão
(Poeta Local)
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