Os operários
orientados, agora, por Oxholm, iniciaram a construção da cidade que em pouco
tempo se transformaria na terceira mais importante cidade da Amazônia. Uma das
embarcações foi preparada para suprir temporariamente a aldeia de energia e
servir de hospital. Grande parte da área foi ocupada pelos seringais, divididos
de maneira extremamente regular. As condições de trabalho e o salário superior
ao de outras cidades da região, pago quinzenalmente em espécie, provocou uma
verdadeira corrida no posto de recrutamento da empresa.
A mídia
convocava trabalhadores, mas metade deles não passava no exame médico. Mas
apesar disso a rotatividade dos milhares de empregados contratados por Oxholm era muito grande forçando os
gerentes e capatazes a perder muito tempo no treinamento dos novos
funcionários. Os trabalhadores assim que juntavam algum dinheiro voltavam para
suas famílias e suas plantações.
“Oxholm tinha problemas para manter aceso o cordão
de lâmpadas penduradas sobre as poucas ruas sujas que ele havia tirado da
selva. Equipamentos e ferramentas descarregados do Ormoc e do Farge estavam
espalhados pelo chão, e não houve nenhuma tentativa de fazer um inventário ou
estabelecer um sistema de inspeção. Os roubos eram desenfreados. Oxholm não tinha
construído uma doca permanente ou um edifício central de recebimento; assim, os
materiais adicionais enviados de Belém ou Dearborn se amontoavam na margem do
rio, igualmente sem supervisão. Sacos de cimento jaziam na margem ‘duros como
pedra’.
As árvores
tinham sido cortadas na margem do Rio, mas os arbustos permaneciam intocados.
Nos poucos mais de 400 hectares desmatados e queimados para plantar, tocos
carbonizados que Oxholm não se deu ao trabalho de arrancar se misturavam, como
túmulos escuros, às mudas de seringueira que cresciam, fazendo com que a
plantação parecesse um cemitério. O Capitão havia construído algumas casas, mas
em quantidade insuficiente para atender às necessidades dos trabalhadores ou
dos gerentes e suas famílias. O edifício do hospital tinha ‘afundado sobre seus
alicerces e apresentava muitas rachaduras’.
(...) Os madeireiros descobriram em pouco tempo que
as árvores potencialmente lucrativas nunca estavam agrupadas, mas espalhadas por
toda a floresta. E a floresta era tão densa de árvores, trepadeiras e cipós que
teriam de ser cortadas quatro ou cinco árvores antes de ser aberta uma clareira
para uma queda livre. ‘Custa caro demais’, lembrou um madeireiro, ‘ir aqui e
ali pela floresta para obter uma espécie de madeira que valha a pena. Não se
consegue andar três metros nesta selva sem ter de abrir seu próprio caminho.
Isto é uma massa de árvores e cipós’.
(...) Oxholm começou a comprar madeira para suas
necessidades de construção, o queria dizer que a plantação não só estava
deixando de gerar receita com madeira, mas também perdia dinheiro para
comprá-la. (...) A Ford Motor Company podia estar trazendo para a Amazônia as
técnicas de produção industrial em massa, sincronizada e centralizada, mas, ao
menos por algum tempo, baseou-se em lenhadores na selva usando pouco mais que
machados para suprir sua futura plantação com madeira”. (GRANDIN)
Aos trancos e
barrancos a cidade foi crescendo e a enorme caixa d’água de 50 metros de altura
e com capacidade de 570 mil litros, símbolo da presença do Ford na Amazônia,
foi colocada em ponto estratégico de onde pudesse ser vista por todos que
chegassem à Fordlândia.
No final de
1929, tinham completado a limpeza e o plantio de 400 hectares, bem aquém da
especificada pelos administradores da Companhia Ford Industrial do Brasil. Nos
dois anos que se sucederam mais 900 hectares foram desmatados. Apesar disso, as
coisas evoluíam ainda que lentamente. A cidade possuía o melhor sistema de
saúde da região e as casas dos administradores, na Vila Americana, jardins
cuidados, gramados para golfe, quadras de tênis, piscina, campos de futebol,
clube e cinema.
Continua no próximo post..

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