sexta-feira, 25 de outubro de 2013

A construção de Fordlândia





Os operários orientados, agora, por Oxholm, iniciaram a construção da cidade que em pouco tempo se transformaria na terceira mais importante cidade da Amazônia. Uma das embarcações foi preparada para suprir temporariamente a aldeia de energia e servir de hospital. Grande parte da área foi ocupada pelos seringais, divididos de maneira extremamente regular. As condições de trabalho e o salário superior ao de outras cidades da região, pago quinzenalmente em espécie, provocou uma verdadeira corrida no posto de recrutamento da empresa.
A mídia convocava trabalhadores, mas metade deles não passava no exame médico. Mas apesar disso a rotatividade dos milhares de empregados contratados por Oxholm era muito grande forçando os gerentes e capatazes a perder muito tempo no treinamento dos novos funcionários. Os trabalhadores assim que juntavam algum dinheiro voltavam para suas famílias e suas plantações.
“Oxholm tinha problemas para manter aceso o cordão de lâmpadas penduradas sobre as poucas ruas sujas que ele havia tirado da selva. Equipamentos e ferramentas descarregados do Ormoc e do Farge estavam espalhados pelo chão, e não houve nenhuma tentativa de fazer um inventário ou estabelecer um sistema de inspeção. Os roubos eram desenfreados. Oxholm não tinha construído uma doca permanente ou um edifício central de recebimento; assim, os materiais adicionais enviados de Belém ou Dearborn se amontoavam na margem do rio, igualmente sem supervisão. Sacos de cimento jaziam na margem ‘duros como pedra’.
As árvores tinham sido cortadas na margem do Rio, mas os arbustos permaneciam intocados. Nos poucos mais de 400 hectares desmatados e queimados para plantar, tocos carbonizados que Oxholm não se deu ao trabalho de arrancar se misturavam, como túmulos escuros, às mudas de seringueira que cresciam, fazendo com que a plantação parecesse um cemitério. O Capitão havia construído algumas casas, mas em quantidade insuficiente para atender às necessidades dos trabalhadores ou dos gerentes e suas famílias. O edifício do hospital tinha ‘afundado sobre seus alicerces e apresentava muitas rachaduras’.
(...) Os madeireiros descobriram em pouco tempo que as árvores potencialmente lucrativas nunca estavam agrupadas, mas espalhadas por toda a floresta. E a floresta era tão densa de árvores, trepadeiras e cipós que teriam de ser cortadas quatro ou cinco árvores antes de ser aberta uma clareira para uma queda livre. ‘Custa caro demais’, lembrou um madeireiro, ‘ir aqui e ali pela floresta para obter uma espécie de madeira que valha a pena. Não se consegue andar três metros nesta selva sem ter de abrir seu próprio caminho. Isto é uma massa de árvores e cipós’.
(...) Oxholm começou a comprar madeira para suas necessidades de construção, o queria dizer que a plantação não só estava deixando de gerar receita com madeira, mas também perdia dinheiro para comprá-la. (...) A Ford Motor Company podia estar trazendo para a Amazônia as técnicas de produção industrial em massa, sincronizada e centralizada, mas, ao menos por algum tempo, baseou-se em lenhadores na selva usando pouco mais que machados para suprir sua futura plantação com madeira”. (GRANDIN)
Aos trancos e barrancos a cidade foi crescendo e a enorme caixa d’água de 50 metros de altura e com capacidade de 570 mil litros, símbolo da presença do Ford na Amazônia, foi colocada em ponto estratégico de onde pudesse ser vista por todos que chegassem à Fordlândia. 


No final de 1929, tinham completado a limpeza e o plantio de 400 hectares, bem aquém da especificada pelos administradores da Companhia Ford Industrial do Brasil. Nos dois anos que se sucederam mais 900 hectares foram desmatados. Apesar disso, as coisas evoluíam ainda que lentamente. A cidade possuía o melhor sistema de saúde da região e as casas dos administradores, na Vila Americana, jardins cuidados, gramados para golfe, quadras de tênis, piscina, campos de futebol, clube e cinema.

Continua no próximo post.. 


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