Motivada pelo sentimento nativista e por ser
adepta da História Regional, apesar de não ser historiadora, já vinha
amadurecendo a ideia de desenvolver projetos de pesquisas voltados às regiões
dentro do Município de Aveiro, tais como Fordlândia, Rio Cupary, Brasília
Legal, Pinhel e outras que tenham algo que possa interessar aos leitores no
decorrer deste trabalho. Visto que essas Vilas e Comunidades são abençoadas não
só pela beleza natural inerente a região Amazônica, mas principalmente pelo
teor histórico, que passam despercebidos quando vistas a nível nacional,
desconhecidos por nós Municípes, devido não haver registros ou pesquisas
anteriores locais que poderiam trazer ao público os recursos naturais e
culturais que elas oferecem.
Porém, a motivação maior para começar essas
pesquisas, se deu na Faculdade IFPA, onde curso a Graduação de Informática para
a Educação, cujos colegas demonstraram uma curiosidade muito grande em relação
a Vila de Fordlândia, pois a conhecem
somente dos documentários e fotos das históricas construções da Vila Americana,
do Hospital abandonado e outros. Assim, a ideia que eles tem em relação à Vila
é que esta seja um lugar fantasma, abandonado.
É
certo que esse desconhecimento acontece até mesmo em relação ao próprio
Município, geralmente quando nos apresentamos tanto nas faculdades ou em
encontros profissionais, tanto em Santarém quanto em Itaituba, quando dizemos
que somos de Aveiro, vem sempre a clássica pergunta: Aveiro, fica onde?!?
A
verdade é que essa pergunta soa estranha, visto que Aveiro fica entre esses
dois Municípios, cujo meio de transporte mais utilizado é a via fluvial, e Aveiro,
assim como suas principais Vilas e Comunidades, são ribeirinhas. Mas, vamos às
pesquisas...
Como foi para Henry Ford vir
parar em “Fordlândia”?
Uma das principais curiosidades é essa, como
e porque Henry Ford escolheu justamente essa região para criar o seu legado. Conforme
texto retirado do site www.fordlandianossaselva.com, tudo
começou com a Negociação de Villares:
Jorge Dumont Villares pertencia a uma família de ricos cafeicultores e
com boas ligações políticas, havia chegado a Belém, a capital do Estado do
Pará, no início dos anos 1920. Apesar do colapso da economia da borracha, ainda
havia dinheiro a ser ganho nos muitos esquemas criados para reanimar o
comércio. Pouco depois de sua chegada,
ele começou a formar uma espécie de confederação de políticos, diplomatas e
representantes da Ford, todos interessados em atrair Henry Ford para o Brasil.
Henry Ford, em
julho de 1925, em sua casa em Dearborn, com Harvey Firestone, concedeu uma
audiência ao Inspetor Consular do Brasil, em Nova York, diplomata José Custódio
Alves de Lima. Lima que fora autorizado pelo Governador Dionysio Bentes, do Pará, a
oferecer “incentivos especiais” na esperança de que Ford instalasse seu
projeto no Estado e ajudasse a reanimar a economia regional deprimida, desde
1910, com a perda do monopólio da borracha para as colônias asiáticas. Na
oportunidade, Ford quis saber qual era o salário local pago aos seringueiros e
Lima respondeu que era de 36 a 50 centavos de dólar por dia. O empresário
respondeu “que pagaria até 5 dólares por dia para um bom trabalhador” e
que sua maior preocupação não era o número de horas trabalhadas e sim a
produtividade”.
O primeiro e mais importante aliado de Villares para fazer com que as
coisas andassem foi William Schurz, que foi adido comercial de Washington no
Rio, embora, para o aborrecimento do embaixador dos EUA, ele passasse a maior
parte do tempo na Amazônia. Schurz havia
ingressado no Departamento de Comércio no início da década de 1920, quando
Herbert Hoover, o secretário, ampliava muito sua influência. Hoover triplicou
orçamento do Departamento e acrescentou três mil funcionários, muitos deles
adidos como Schurz, vendedores da crescente ambição econômica da América.
Schurz tinha sido membro da comissão organizada em 1923 pelo
departamento do Comércio de Hoover, de estudo da possibilidade de reviver a
produção da borracha na Amazônia como parte da campanha de Hoover para
neutralizar o cartel proposto por Churchill. Era muito provável, pela
experiência de Schurz na comissão, que ele tenha se dado conta das
possibilidades de lucro, em especial depois da declaração de Dionysio Bentes,
Governador do Pará, em 1925, de que ofereceria gratuitamente terras na floresta
a qualquer pessoa disposta a cultivar seringueiras. Como diplomata dos EUA,
Schurz não podia solicitar terras diretamente; assim, aliou-se a Villares, com
a ideia de usar a cruzada de Hoover para vender sua concessão a uma corporação
americana. Junto com Schurz e Villares estava Maurice Greite, um inglês que
vivia em Belém e se auto-intitulava ‘capitão’, embora ninguém soubesse do quê.
Antigo residente da Amazônia sempre em busca de uma grande chance fosse uma
mina de chumbo ou um esquema de terras, Greite em pouco tempo tornou-se mais
ônus do que um ativo para Villares. Mas prestou um serviço útil. Apresentou
Villares a Antônio Castro, Prefeito de Belém, e ao Governador Bentes, dois
homens cuja lealdade precisaria ser assegurada para que o plano tivesse
possibilidade de sucesso. Em troca de uma parcela do dinheiro, ambos os
governantes prometeram seu apoio.
O Prefeito prometeu não se opor à transação e o Governador, em setembro
de 1926, concedeu a Villares, Schurz e Greite uma opção sobre pouco mais de 10
milhões de hectares no baixo vale do Tapajós – um dos muitos lugares que os
especialistas consideravam adequado para o cultivo de seringueiras em larga
escala. Os três homens tinham três anos para desenvolver a propriedade ou
vendê-la. Caso deixassem de fazer uma coisa ou outra, perderiam sua opção e as
terras reverteriam para o Estado...(continua no próximo post)
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